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As figuras rítmicas: semibreve, mínima, semínima e colcheia

O tempo tem forma — aprender a enxergá-lo

O tempo precisa de um corpo

Até agora falamos do som e de suas qualidades. Sabemos que uma nota tem altura, duração, intensidade e timbre. Sabemos também como essas notas se chamam — no sistema latino e no sistema anglo-saxão — e onde encontrá-las no braço do instrumento. Mas há uma pergunta que ainda não respondemos: como se escreve o tempo?

A altura de uma nota é representada pela sua posição na pauta: mais acima ou mais abaixo conforme seja mais aguda ou mais grave. Mas a duração — quanto tempo essa nota dura — precisa de outro sistema. Não basta saber qual nota é: é preciso saber por quanto tempo sustentá-la.

As figuras rítmicas são a solução que a música ocidental desenvolveu para esse problema. São símbolos visuais que representam durações relativas. Não indicam quantos segundos dura uma nota — isso depende do andamento, que veremos mais adiante — mas sim quanto tempo dura uma nota em relação às demais. É um sistema proporcional, não absoluto.

As quatro figuras principais

A semibreve é a figura de maior duração no sistema básico. Visualmente é uma cabeça oval vazia, sem haste — a linha vertical que as outras figuras possuem. No sistema mais comum, dura quatro tempos: se a pulsação é constante e você conta um, dois, três, quatro, a semibreve ocupa todos esses tempos. No violão ou guitarra, tocar uma semibreve significa dedilhar a corda e deixá-la ressoar sem interferência durante esses quatro tempos. Para um iniciante isso pode parecer estranho no começo: a tendência natural é abafar a corda cedo demais. A semibreve exige escutar o som até o fim.

A mínima dura metade da semibreve: dois tempos. Visualmente se parece com a semibreve — cabeça oval vazia — mas tem haste. Duas mínimas cabem exatamente no espaço de uma semibreve. No violão, a mínima é muito frequente em melodias lentas e acompanhamentos pausados. Tocar uma mínima limpa — que soe por exatamente dois tempos e não mais — é um primeiro exercício de controle sobre a duração.

A semínima dura metade da mínima: um tempo. A cabeça é oval mas preenchida — preta, como indica o nome em muitos idiomas — e tem haste. Quatro semínimas cabem no espaço de uma semibreve. A semínima é a figura mais comum na música popular, no rock, no folk e em grande parte do repertório de violão e guitarra. Quando alguém diz «toca a 120 por minuto», esse «por minuto» se refere às semínimas. A semínima é, em muitos contextos, a unidade de referência do tempo.

A colcheia dura metade da semínima: meio tempo. Visualmente é como uma semínima, mas com uma bandeirinha na haste — ou, quando aparecem várias juntas, com uma barra que as une. Oito colcheias cabem no espaço de uma semibreve. No violão e na guitarra, as colcheias são o território do strumming fluido, dos arpejos contínuos, das melodias rápidas. Quando você rasgueia um acorde em andamento moderado seguindo colcheias, está fazendo oito ataques por quatro tempos: dois ataques por tempo.

A proporção como princípio

O essencial desse sistema não são as figuras em si mesmas, mas a relação entre elas. Cada figura dura exatamente metade da anterior: semibreve, mínima, semínima, colcheia. Isso significa que a proporção sempre se mantém, independentemente do andamento. Uma semibreve sempre dura o dobro de uma mínima, e uma mínima sempre dura o dobro de uma semínima, seja o andamento lento ou rápido.

Isso tem uma consequência prática importante para o guitarrista: ler ritmo não é calcular segundos. É ouvir e sentir proporções. Quando você vê uma semínima seguida de duas colcheias, não pensa «um segundo e depois dois meios-segundos». Você pensa: «uma batida, depois duas batidas mais rápidas». O corpo entende antes que a mente.

Como praticar as figuras no violão ou guitarra

Um exercício fundamental para internalizar essas quatro figuras é tocá-las sobre uma única nota — por exemplo, o Mi da primeira corda solta — enquanto conta em voz alta.

Toque uma semibreve e conte: um, dois, três, quatro. A corda ressoa durante toda a contagem. Depois duas mínimas: um-dois, um-dois. A corda soa dois tempos, você a dedilha novamente, mais dois tempos. Depois quatro semínimas: um, dois, três, quatro. Uma pulsação por nota. Depois oito colcheias: um-e, dois-e, três-e, quatro-e. Dois ataques por tempo.

Você não precisa saber ler partituras ainda para fazer esse exercício. Precisa de uma pulsação estável — sua própria contagem, ou um metrônomo — e da capacidade de ouvir se as durações são realmente proporcionais. Esse ouvido para as proporções rítmicas é a base de tudo o que virá depois.

Para continuar pensando

Vimos as quatro figuras principais. Mas o sistema não para por aí: existem figuras menores — a colcheia dupla (semicolcheia), a fusa e a semifusa — que subdividem o tempo ainda mais, abrindo caminho para tudo o que a música moderna faz com a velocidade e a densidade rítmica. Até que ponto o tempo pode se tornar menor antes de o ouvido deixar de distingui-lo? É exatamente isso que exploraremos no próximo post.

O ritmo é a base de toda música. Sem ritmo, as notas são apenas sons flutuando no vazio. — Tito Puente